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A nova força de trabalho da construção civil: o que o aumento de imigrantes revela sobre o futuro do setor

  • Foto do escritor: Blog do Jobs
    Blog do Jobs
  • 9 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

A construção civil brasileira vive um daqueles momentos que dizem muito sobre para onde o país está indo. O setor voltou a crescer, obras retomaram ritmo e novos empreendimentos saem do papel todos os meses. Mas existe um ponto silencioso — e decisivo — que está mudando a forma como construímos: a força de trabalho.


Falta gente. E essa é uma realidade que não se resolve apenas com anúncios de vagas.


Há alguns anos, empresários, engenheiros, mestres e líderes de RH vêm repetindo a mesma frase: “não tem mão de obra”.

Não se trata de falta de interesse ou capacidade dos trabalhadores brasileiros. Pelo contrário. O Brasil nunca teve tanta gente estudando, se qualificando e buscando funções alinhadas a novas aspirações profissionais.


A geração que cresceu vendo tecnologia, serviços e mobilidade urbana ganhar força está mirando outras rotas de carreira. Isso reduziu a entrada de jovens em atividades braçais, especialmente nos canteiros.


Enquanto isso, o setor continua precisando de equipes completas para levantar estruturas, garantir prazos e manter a engrenagem funcionando.


É aí que entra um movimento que já redefiniu mercados como o dos Estados Unidos: a chegada de trabalhadores imigrantes.


A construção civil sempre foi porta de entrada para quem busca recomeçar. Isso vale para brasileiros e, cada vez mais, para quem chega de outros países em busca de estabilidade, renda e possibilidade de formalização.


Entre 2020 e 2025, o número total de estrangeiros empregados no Brasil mais que dobrou: 182.995 → 396.660 trabalhadores.


No setor da construção civil, o salto é ainda mais expressivo:

  • 2020: 11.328 estrangeiros

  • 2025: 26.591

  • Crescimento: 135%

São vidas que mudaram de território — e agora ajudam a construir os nossos.


Quem está chegando?


O fluxo migratório atual lembra o grande movimento do século 20, quando brasileiros do Nordeste migraram para centros urbanos em busca de trabalho.

A diferença é o passaporte.


Venezuelanos, haitianos e trabalhadores de pelo menos outros 11 países já são parte ativa dos canteiros brasileiros.


Venezuela: 2,5 mil trabalhadores em 2020 → mais de 14 mil em 2025.

Haiti: 5,8 mil trabalhadores em 2020 → cerca de 4,4 mil em 2025.


Não é apenas um dado demográfico. É uma transformação cultural, organizacional e humana.


Muitos chegam sozinhos, se estabilizam e começam a construir raízes. O canteiro vira ponto de partida, não de passagem.


Por que as empresas estão sentindo falta de trabalhadores brasileiros?


É uma combinação de fatores:

  • Maior escolarização e diversificação de interesses profissionais

  • Crescimento de trabalhos por aplicativo, que oferecem autonomia imediata

  • Mudanças no impacto econômico do Bolsa Família em algumas regiões

  • Desejo crescente das novas gerações por funções menos braçais


Não existe certo ou errado nesse movimento.

Existe apenas uma realidade: as obras seguem e precisam de equipes completas.


A construção civil continua sendo setor de acolhimento e integração


Enquanto muitos setores demoram a criar políticas estruturadas, a construção civil segue fazendo aquilo que sempre fez: acolhendo, treinando e contratando.


Um dos exemplos mais fortes é o da Construtora Tenda, que desde 2021 implementou um programa formal de capacitação e integração de imigrantes:

  • 500+ imigrantes contratados

  • 17% da força de obra da companhia

  • 13 nacionalidades

  • 7 estados atendidos

  • Foco em funções de entrada e qualificação rápida


É um modelo que demonstra visão, responsabilidade social e resposta prática à escassez de mão de obra.


O que esse movimento revela sobre o futuro?


O Brasil começa a enxergar uma nova demografia dentro das obras. E isso traz desafios e oportunidades:


Para empresas:

  • repensar práticas de integração, treinamento e comunicação

  • desenvolver políticas de compliance, segurança e inclusão

  • preparar lideranças para equipes multiculturais

  • equilibrar velocidade de entrega com desenvolvimento humano


Para o setor:

  • modernizar a narrativa sobre o trabalho na construção

  • qualificar funções para torná-las mais atrativas

  • investir em produtividade, tecnologia e liderança


Para o país:

  • reconhecer que a construção civil é, novamente, um motor de integração social

  • aproveitar o potencial da diversidade como vantagem competitiva


Conclusão: estamos diante de um novo capítulo — e ele precisa ser debatido agora


A construção civil sempre contou a história do desenvolvimento brasileiro.

Hoje, continua contando — só que com novos sotaques, novas origens e novas trajetórias.


A entrada de imigrantes não substitui trabalhadores brasileiros.

Ela preenche lacunas, fortalece operações e permite que o setor continue crescendo enquanto enfrenta uma mudança geracional inevitável.


Ignorar esse movimento seria perder a chance de construir políticas mais humanas, eficientes e sustentáveis.


No fim das contas, o que está em jogo não é apenas mão de obra.

É o futuro da construção civil — e o futuro das pessoas que constroem o Brasil todos os dias.

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